Especialistas em mobilidade de pelo menos 12 países vão debater o tema durante o V Eimus (Encontro Ibero-Americano Sobre Mobilidade Urbana Sustentável) que vai 

que vai acontecer no Cecape (Centro de Capacitação dos Profissionais da Educação) de São Caetano entre os dias 7 e 9 de maio. A atividade é organizada pelo Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS – Universidade Municipal de São Caetano do Sul)  em parceria com o Creces (Centro Regional para Cooperação em Educação Superior na América Latina e Caribe) e o Orsalc (Observatório Regional de Responsabilidade Social para a América Latina e Caribe) ambas instituições vinculadas à Unesco.

O professor da USCS e organizador do encontro, Daniel Vaz,  deu alguns detalhes sobre o que será debatido no encontro, entre os temas está “Tendências Globais para a Indústria Automobilística”, fazendo referência aos recentes anúncios de General Motors e Ford, que anunciaram o fechamento de suas fábricas no ABC, sendo que a primeira decidiu ficar após obter vantagens dos governos municipal e federal e a segunda decidiu realmente deixar a produção que será repassada a outra montadora. Há temas que envolvem o transporte sustentável e novas tecnologias.

Vaz apresentou um estudo sobre o tema durante a divulgação da sétima carta de conjuntura do Conjuscs, nesta quarta-feira (24/04). “O ABC tem que começar a pensar num outro caminho de desenvolvimento, senão vamos ficar reféns  deste processo das conjunturas econômicas e políticas das empresas, com os municípios abrindo mão de receitas. Essa adequação do ABC para o mercado de mobilidade pode fazer com que entremos no mercado global e que em 2024 pode bater 24 bilhões de dólares”, analisa o professor que faz questão de destacar que não quer demonizar qualquer que seja a montadora, mas estimular a discussão sobre mobilidade que tem dois ângulos, na sua interpretação. “A facilidade, já que hoje é mais fácil chamar um Uber do que manter um carro e outra questão é econômica que tem a ver com petróleo, e algumas montadoras já definiram que vão deixar de produzir carros com combustível fóssil. Atualmente 62% dos jovens já consideram dispensável possuir um veículo”, aponta.

O professor porém analisa que o país ainda não está preparado para a mudança das cidades que foram pensadas valorizando o transporte individual. Nessa linha Vaz volta seu olhar para o projeto da linha 18 Bronze, o Metrô do ABC, que tem enfrentado dificuldades em mais de uma década de planejamento e que agora, segundo declarou o governador João Doria (PSDB) pode ser transformado num corredor de ônibus tipo BRT. “A mobilidade no ABC está muito próxima da realidade da capital paulista, o Metrô ajuda sem dúvida, mas o BRT não, na minha opinião, não vai funcionar. Tem um componente que pode fazer com que a pessoa que tem carro deixar de usá-lo que é a velocidade; o BRT é um transporte de massa mas que não atende a esse quesito. Então esperamos que mantenha o plano anterior que é mais viável para a região”, diz o professor da USCS.

Para Daniel Vaz o ABC, um centro produtor de carros terá que buscar uma fórmula para sobreviver as mudanças. “Proponho que se debata a criação de algum meio, e o Pólo Tecnológico de Santo André pode ser um deles, para se preparar, trabalhando essa temática da mobilidade e a oferta de serviços tecnológicos que atendam a demanda de mobilidade das pessoas”, conclui.

Fonte: Repórter Diário